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O querer da criança.


Esses dias eu e o Dinho saímos de casa com as crianças, tomamos um sorvete as 17h da tarde e voltamos totalmente fora do horário da rotina com eles cansados e estimulados pelo açúcar e cortisol no organismo.

Em paralelo a isso eu e o Dinho também estávamos cansados e querendo que tudo fluísse o mais rápido possível para eles dormirem e conseguirem ter uma quantidade de sono pelo menos reparadora.


Demos banho neles e começamos a organizar o jantar enquanto eles brincavam ainda cheios de energia. Joaquim estava jogando futebol quando o Dinho falou: “filho, coloca os pratos na mesa por favor?”

Quando ele respondeu tranquilamente:
“Eu não quero papai, tô jogando bola”.


Na hora meu automático autoritário falou: ” filho, o papai não perguntou se você quer ele pediu pra você colocar os pratos.”
(Só não falei mandou porque essa palavra eu já não uso mais hehe mas quis dizer a mesma coisa)


E ele continuava jogando e tranquilamente( entre a narração de uma jogada, um gol e uma comemoração) ele disse: “mas eu não quero mamãe, estou no meio do jogo.”


Na hora aquilo me subiu! “Tá bom Joaquim” – falei de uma forma meio grossa. Mas consegui me segurar e falei pro Dinho baixinho: “eu vou parar por aqui pois se não eu vou pelo caminho da culpa e com certeza esse não é o sentimento que quero que ele tenha para fazer o que eu acho certo.”


Fiquei quieta e o Dinho também.


Arrumamos a mesa, comemos, nos acalmamos e conduzimos o resto da rotina de forma tranquila.


De noite, eu e o Dinho fomos conversar e chegamos a algumas reflexões:

1.Ele colocou o querer dele de forma educada e clara. Sempre dizemos para ele que não é obrigado a fazer nada, mas que ele precisa conversar;
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2. Ele não estava descumprindo uma regra ou um combinado ( ele é responsável por arrumar a mesa na hora do almoço e ele sempre cumpri);
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3. Quando fazemos um pedido o outro tem o direito de recusar. ( Mas ouvir não do filho parece desrespeito pois normalmente não enxergamos neles os mesmos diretos de qualquer outra pessoa).
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4. Ele estava elétrico e cheio de energia com muita vontade de gastá-la por culpa nossa.


E por último, nós é que não soubemos conduzir a conversa de forma assertiva. Podíamos ter ido até ele, nos conectado e fazer o pedido a partir de um lugar de escuta e colaboração dos dois lados.

Podíamos ter feito um combinado de “que horas você pode nos ajudar?”, Ou “quantos chutes você precisa para poder parar?” Ou até “quanto tempo falta para acabar o jogo?” Mas não.

Nós ficamos imobilizados pelo nosso cansaço que não nos permitiu sair das crenças antigas de que os filhos TEM QUE atender os pais sempre. A qualquer custo. E olha que isso é muito importante para nós.

O querer de uma pessoa precisa sempre ser ouvido e respeitado, mesmo que seja para dar início a um diálogo para se chegar num outro caminho, mas nunca podemos parar por cima do querer de ninguém. E precisamos ensinar isso para nossos filhos desde cedo. Para eles saberem respeitar e se fazer respeitar.

Depois disso eu e o Dinho levamos o ocorrido para a reunião de família e pontuamos para o Joaquim o quanto ele foi educado e assertivo em falar sobre seu querer de forma tranquila e o quanto eu não consegui acolher aquilo de forma educada. Me desculpei e ele disse: “tá tudo bem. E você também várias vezes não quer fazer o que eu peço por que tá fazendo outra coisa. Eu fico triste mas entendo”. RS

Seguimos aprendendo com eles!

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