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Não é não e ponto!!

Muita gente me diz que não consegue seguir essa “linha de educação” mais moderna por que pra eles “não é não e ponto!”. Aí já percebemos uma grande confusão sobre os conceitos que defendemos nesse novo olhar pra relação com a criança.

Primeiro quero aproveitar para esclarecer que para nós o Não também é não. Mas ( sempre tem um mas ) o primeiro convite é pensar qual NÃO é verdadeiramente não, e qual falamos apenas por ser mais “fácil” ou automático para nós adultos.

Sem perceber acabamos falando não para quase tudo e esperamos que nossos filhos acatem todos eles tranquilamente, simplesmente por que eles TEM QUE acatar. Aí está o primeiro ponto, se dissermos não toda hora a guerra está armada. Eles vão começar a lutar por “sims”. E isso é natural pois nenhum ser humano vai se desenvolver de forma satisfatória só ouvindo não. Além do que seu não será tão banalizado que eles nem vão ouvir mais.

Outro ponto, se dissermos não sem pensar podemos estar podando muitas oportunidades de desenvolvimento, experiências ricas para eles, crescimento, aprendizados e etc, e muitas vezes por preguiça de olharmos para eles, acompanharmos em alguma coisa ou levantarmos do sofá. Para o adulto é muito mais fácil dizer não, continuar sentado ou fazendo o que estava fazendo e querer que a criança simplesmente obedeça sempre.

Então quer dizer que o melhor é dizer sempre sim ou deixar a criança fazer o que quer?? Não, isso é permissividade, o que também é tão ruim ou pior para o desenvolvimento da criança.

Os nãos precisam ser pensados e mantidos. E eles devem vir de regras claras e limites bem definidos.

Ter limites é essencial para o desenvolvimento. As crianças pedem limites o tempo todo pois estão aprendendo a lidar com o mundo e seus cérebros precisam disso para criar estruturas saudáveis de desenvolvimento. Além disso, segundo Daniel Siegel, no livro Disciplina sem drama ( que recomendo para todo mundo) “uma compreensão bem definida de regras e limites os ajuda a obter sucesso em relacionamentos e em outras áreas de suas vidas”. Então como fazemos isso?

O primeiro passo é pensar quais limites são realmente importantes de serem dados ( normalmente eles estão relacionados a segurança da criança ou a habilidades e comportamentos que queremos ensinar para o futuro). Depois é pensar em como fazer isso sem simplesmente dizer não. As crianças aprendem muito mais a partir do que eles podem fazer e não do que elas não podem.

E por último é estarmos atentos em COMO dizemos esse não: CRIANÇAS APRENDEM COM NOSSOS ATOS E NÃO COM NOSSAS PALAVRAS. Se dissermos não gritando, tirando as coisas da mão deles, puxando, sendo grosseiros, batendo, sem ouvi-los, sem entender o que estão querendo, falando e etc, é isso que eles estão aprendendo. Ou seja, o “não” é o que eles menos aprenderam alí.

Tenho muitos conhecidos que reclamam que a criança grita demais ou que a criança bate, morde, briga e é grosseria, mas quando eles vão corrigir a criança é exatamente dessa forma que eles falam com ela.

Diante disso esse “não é não e ponto” pode ser questionado. Será que estou ensinando o que realmente quero ensinar ou apenas que enquanto eu for o mais “forte” eu que mando. E quando eu quero dizer não eu digo e quando quiser dizer sim eu digo e eles estão totalmente a mercê do meu humor e vontade.

No momento isso pode fazer sentido, mas pensam no adulto que você está criando. E olha que as crianças aprendem muito rápido com nossos exemplos!!!

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