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“Emotional Labor” ou Carga Mental, você já ouviu falar disso?

Há 20 dias estamos na casa da minha mãe. Aqui temos a ajuda da uma funcionária incrível e amorosa que não nos deixa fazer muita coisa. Não precisamos cuidar da casa, não precisamos fazer comida, não precisamos lavar as roupas e ainda temos muito mais ajuda com as crianças do que se estivéssemos sozinhos no nosso apê em Curitiba. Mas ontem, eu cheguei bem perto do meu limite de cansaço, perdi a paciência com as meninas, chorei e capotei na cama, sem querer… não era para ter dormido, eu só deitei um pouco para respirar. Dormi às 15h da tarde e acordei às 16h30! No meio do dia. Exausta!

Emotional Labor, ou Carga Mental – você já ouvir falar disso?

Não é apenas a quantidade de coisas que você faz que te cansa, mas o envolvimento mental e emocional que isso te exige (ou que você se exige)

Para mim, ficar com as crianças é o que mais me exige emocionalmente e mentalmente. Meu comportamento automático com elas é autoritário, um tanto agressivo, frio e impaciente. Na busca de uma educação mais consciente me esforço muito para me conectar com elas, ser mais empática, entender minhas próprias emoções, enxergar gatilhos que me tiram da consciência, trabalhar minhas reações e ainda agir de maneira assertiva entendendo as necessidades delas (em cada situação) e do contexto ou do outro (os adultos por exemplo).

Percebo que tenho evoluído muito e que muita coisa já está mais leve nesse convívio e nova forma de me relacionar e educar, mas ainda faz parte de um processo que exige muita consciência e presença.
Além disso, não preciso cuidar da casa mas fico preocupada de estar incomodando, de as crianças estarem bagunçando, de eu não manter as coisas arrumadas como meus pais estão acostumados, de não ter dado tempo de recolher a bagunça de um lado e eles já estarem indo para outro e etc – isso que sempre “checo” com meus pais se tem algo incomodando e eles nunca reclamam de nada.  


Não preciso fazer comida mas fico preocupada em ajudar a pensar no cardápio que as crianças comam, em não sobrar muita comida, se as crianças vão se alimentar bem, com a sujeira que estão fazendo, em não ter conflitos ou confusão na hora das refeições, em conseguir ajudar com a louça e o pós almoço ao mesmo tempo que dou conta das crianças (lá em casa deixaria tudo na pia até conseguir arrumar depois… mesmo que fosse no outro dia hehe).

Não preciso lavar a roupa mas fico preocupada em ver as roupas que estão sujas, limpas, no varal, molhadas, em baixo da cama, espalhadas pela casa e toalhas molhadas em cima da cama, embaixo, no vazo e tantos outros lugares. São 3 crianças e claro que não vejo o que estão fazendo o tempo todo, pois se espalham por lugares diferentes e eu sou uma só hehe.

Além disso, me preocupo o tempo todo com o trabalho, meus estudos, as redes sociais, com o Dinho estar bem e conseguindo dar conta das atividades dele, com meus pais, com o mundo e com o emocional das crianças. Tudo que vou decidir envolve todos esses aspectos.

Controladora? Sim, este é um dos meus pontos a serem trabalhados…. mas essa questão vai além. Mesmo as mulheres que não tem essa “necessidade de controle” também sofrem de carga mental.

É o trabalho invisível que cansa: lembrar das coisas, datas, aniversários, pessoas, contatos necessários; cuidar com a data de mandar lavar a cortina, ligar para a avó, onde ficou o brinquedo mesmo? Lembrar de cortar a unha da filha do meio que reclamou de noite que estava arranhando; lembrar de passar pegar o brinco que levou pra arrumar; lembrar de comprar o material que ficou faltando para a escola; lembrar e se organizar para sair comprar um tênis novo para o filho mais velho que há dias reclama que aquele está apertado…Lembrar de pagar as contas, transferir dinheiro de um banco para o outro, organizar as coisas com a diarista, cuidar da agenda das crianças e affff… já cansei.

Mas veja, a questão não é simplesmente fazer, é lembrar “de”, organizar tudo mentalmente para encaixar e lembrar de tudo que tem para ser feito, mesmo que seja para outra pessoa fazer.

E por que isso tudo fica para a mulher?? (na maioria dos casos ok?)

Por que assumimos esse lugar desde sempre sem nem mesmo questionar?

Para mim tem a ver com crenças. Crenças que trazemos desde crianças de uma sociedade patriarcal e que sem querer estamos passando para nossos filhos e filhas. Crenças que vamos criando a partir da observação do dia a dia dos nossos pais e mães dentro de casa. E partir das falas que vamos ouvindo e impregnando em nossas células. Crenças que vão colocando os homens e um lugar de atuação no dia a dia e as mulheres em outros… e que exige muito esforço para sair disso depois.

Para mim o segredo da mudança está em descobrirmos essas crenças em cada uma de nós e irmos substituindo por outras mais libertadoras. Você consegue acessá-las dentro de você?

Eu tenho uma que me acompanha sempre e que há pouco tempo percebi o quanto me aprisiona:  a ideia de que a mulher consegue fazer milhares de coisas ao mesmo tempo.

Sempre achei isso um “poder” feminino, mas na verdade é desumano, pois neurologicamente pagamos um preço bastante alto e não usufruímos da qualidade da presença e dos benefícios de estarmos focadas em uma coisa de cada vez.

Faz sentido para você?

Que outras crenças você consegue identificar em você que te mantém nesse lugar de altíssima carga mental? Compartilha aqui com a gente!! Penso que temos a oportunidade de criarmos filhas e filhos um pouco mais leves e com papeis mais equilibrados se trouxermos isso para consciência o quanto antes…..

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