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A resistência da criança

Hoje de manhã eu estava sofrendo pra fazer a Martina tirar o pijama. Foram algumas chamadas, pedidos, explicações e nada, ela continuava brincando sem me ouvir ou dizendo que não, ou chorando e todos esses comportamentos típicos de criança que não está sendo olhada de verdade.
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Por que eu digo isso? Porque todo comportamento tem por trás uma necessidade.
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Eu, como educadora parental sei muito bem disso, mas é automático em nós adultos querermos que as crianças façam o que nós queremos, na hora que queremos sem considerarmos nada que faz parte do mundo em que elas estão inseridas naquele momento. Olhamos para nós: nossas necessidades, nossa pressa, nossas expectativas, nossos planos, nossa rotina, nossos pensamentos, nossas vontades ou verdades absolutas.
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Bom, numa certa altura eu me toquei que estava agindo de forma inconsciente e automática e respirei. Percebi que em nenhum momento eu saí do meu mundo interno pensando em tudo o que eu tinha pra fazer. Percebi que desde a hora que a Mar acordou eu ainda não tinha me conectado com ela de verdade e ainda ficava de longe falando ” Mar, vamos trocar a roupa pra ir brincar lá fora.” E é claro que eu não tinha sucesso.
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Vamos lá:
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1. Não se educa uma criança de longe, deitada no sofá ou fazendo outra coisa ao mesmo tempo. Principalmente uma criança pequena até 3/4 anos. Crianças pequenas precisam ser conduzidas, como numa dança onde o principal é o olho no olho.
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2. Olho no olho de verdade. Conexão é uma necessidade básica da criança para seu desenvolvimento e sobrevivência. E muitos dois comportamentos que elas tem daí gritos desesperados por conexão.

3. Percebi que no quadro de rotina dela nós não colocamos a troca de roupa então pra ela ficou muito solto, pois não conversamos sobre a importância disso e decidimos juntas quando seria o melhor horário para fazer essa atividade. Assim cada dia vira uma caixinha de surpresa e cabe a mim (a adulta) verificar a melhor forma de fazer a troca do pijama dentro do ritmo e fluir dela e da casa.

4. Se eu quero ser ouvida eu preciso ouvir primeiro.

Então, fui até a Mar que estava brincando com a boneca agachei do lado dela e falei: “Mar, você tá fazendo suas filhas dormirem?”
Sim. Ela respondeu e continuou arrumando as bonecas com os paninhos (detalhe que tinha umas 7 bonecas e ursos hehe).

Eu falei: “Que amorosa você está sendo.” – Realmente me conectando com o jeito que ela estava lidando com as “filhinhas” dela.
Aí ela sorriu e continuou orgulhosa. Eu falei: “Assim que elas dormirem, vamos no quarto trocar seu pijama antes que elas acordem tá? Você quer colocar vestido ou bermuda e camiseta? Você decide.


E ela olhou para mim e falou: “Vestido”!
“Elas já dormiram?” – Eu perguntei.
“Sim” – e levantou para ir comigo no quarto.

Fomos juntas e eu perguntei se ela queria o vestido Rosa ou o vestido estampado que ela adora. E ela escolheu o rosa e se trocou bem feliz e tranquila (inclusive sozinha)!


Quando as crianças nos desafiam é muito mais sobre nós.

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